
Vendo as imagens do acidente que vitimou hoje à tarde o piloto Rafael Sperafico, deu para depreender uma série de situações evitáveis. Em primeiro lugar, sua própria escapada da pista denuncia um toque (traseiro ou lateral) absolutamente desnecessário. E, lendo o depoimento de outros pilotos da categoria, como André Bragantini, a prática deve ser mais ou menos comum em todas as divisões da Stock Car. Se for isso mesmo, faltou por parte da organização do evento disciplinar a disputa. Por manobras bem menos questionáveis do que esta, a DTM entrou neste ano na maior crise.
Além do mais, é preocupante a maneira como a lateral do carro mal resistiu ao impacto. Todos sabemos que aquela parte é comumente a mais frágil dos veículos de competição – a morte do navegador Michael Park no WRC em 2005 foi uma evidência disso. Mesmo assim, a maneira hoje com que o carro do paranaense praticamente “dobrou” no instante da batida pareceu forte demais. Corroborando com isto estão as declarações do piloto Antônio Jorge Neto, indicando que a segurança lateral do carro da Stock Car já era motivo de preocupação há algum tempo.
Aqui vale a pena também pegar um exemplo da DTM: Tom Kristensen sofreu em abril deste ano um acidente de dinâmica muito parecida, mas o carro resistiu bem ao impacto e o piloto “só” ficou algum tempo de molho.
Mesmo assim, acho errado culpar alguém pelo ocorrido em Interlagos hoje. Acho errado olhar um acidente fatal e dizer que faltou isso ou aquilo. O mais importante de tudo é aprender com o que aconteceu para diminuir a chance disto acontecer novamente – e acredito que a Stock Car vai aprender muito com isso, é o que todos esperam.
De qualquer forma, nunca esqueçamos, é simplesmente impossível de se evitar mortes no automobilismo. Robert Kubica saiu praticamente ileso da pancada que deu em Montreal pela segurança extrema de um carro de Fórmula 1 atualmente. Mas, se as forças da física agissem um pouquinho diferente, não haveria dispositivo de segurança que desse jeito. Mortes em acidentes de corrida fazem parte do esporte. Na verdade, a Stock car tem em sua história uma morte realmente estúpida e sem sentido, a do fotógrafo (que nem fotógrafo era) postado em local proibido na hora da largada. A de hoje, definitivamente, não se encaixa neste quadro de absoluta negligência.
À simpática família Sperafico, eu deixo meus sentimentos e desejo-lhes muita força para lidar com a perda do Rafael. Pela larga experiência que possuem no automobilismo, acredito que saberão como poucos a trabalhar esta desagradável situação.