quinta-feira, 27 de setembro de 2007

TV BLOGO – SUZUKA 90, A BATIDA

Mesmo sendo em japonês, é muito interessante este vídeo sobre os acontecimentos da largada de Suzuka em 1990. Ayrton Senna realmente carregou nas costas durante um ano inteiro a injustiça que sofrera na mesma pista em 89 – embora, na minha opinião, não foi algo determinante na perda daquele título, vide o acidente na Austrália. Prost chegou a ensaiar um pacto em Monza, mas o estado de espírito de Senna no Japão era completamente carregado, como fica claro no briefing dos pilotos. No fim, ele fez sua vingança pessoal e respondeu àqueles que considerava seus detratores com uma manobra decidida e perigosa. Não foi uma maneira muito elegante de ser campeão, mas certamente ele não se importava com isso àquela altura. Senna era um grande piloto com uma lógica muito peculiar, do esporte e da vida.

O mais interessante do vídeo é o seu encontro com Soichiro Honda, deixando bem claro como Senna era adorado pela turma de . E também vê-lo falando em um italiano fluente com os jornalistas. Em seu livro “Na Reta de Chegada”, Berger aponta sua crença de que o brasileiro pretendia correr um dia pela equipe de Maranello. Para quem detestava perder, sonhar com uma Ferrari capenga é uma amostra irrefutável do apelo que o mito criado por Enzo Ferrari possui sobre todos os fãs de corrida. Senna na Ferrari, ia ser interessante.

7 comentários:

Juliano "Kowalski" Barata disse...

Ico, foi neste GP que o Senna exigiu que o pole largasse do lado externo à primeira curva?

Se sim, provavelmente a ira dele no briefing foi pelo fato de todos terem concordado com a colocação do Piquet sobre quem passa reto na chicane, e ninguém (provavelmente) ter concordado com o Senna sobre a reformatação do grid...

Sobre a manobra, assino embaixo. Complemento com algo muito triste, que é o fato do brasileiro em geral defender esta vendeta de 1990, como se fosse de alguma forma justificável. Isso só me lembra o povão vaiando os atletas estrangeiros no Pan.

[]s

Marcio Pimenta disse...

Caro Ico,

Muito legal este vídeo. Um verdadeiro enredo que poderia muito bem render um prêmio do festival de Cannes.

Essa coisa de pregarmos comportamentos éticos é muito discutível. A ética que vale para mim ou para você é muito distinta a ética do mundo da F1 ou a ética num morro do Rio de Janeiro. Para cada mundo há um próprio código e o que o Senna ou o Schummacher fizeram em suas carreiras foi apenas segui-las.

Abração!

Ah! O vídeo era em japonês? Nem notei hehehehehe!!!! Lembrei de tudo.

Milton M. Bonani disse...

Para falar a verdade eu adorei a hora que bateu. Foi tão sacana como em 1989. Só que naquele ano o Balestre desclassificou o Senna por ter sido empurrado, mas depois de muitos anos confessou que ajudou o Prost. Quem começou a sacanagem foi o Prost.

O Senna queria que mudassem o lugar da pole porque o lado de dentro ficava sujo. Era uma solicitação justa.

Realmente o encontro com o Senhor Soichiro foi muito legal. Imagine o que significava esse homem no Japão.

Os tumulos do meu pai e do Senna lá no Cemitério do Morumbi são próximos. Até hoje a gente vê excursão de japoneses lá no Cemitério. Ele era realmente um ídolo.

Rafael disse...

Quanto ao que Senna reclamou no briefing, foi sobre o ponto de vista do Piquet: que se o piloto perdesse a curva, pudesse seguir em frente cortando o caminho. Por que se fosse voltar(como "deveria" ter sido feito em 1989) na contra-mão isso sim seria perigoso.
Senna foi desclassificado por conta de ter feito justamente isso que o Piquet falou. Por esse motivo, ele ficou puto.

Fleetmaster disse...

Prost tentou destabilizar Senna com um aperto de mão em Monza, mas Senna deu o troco de 89 . O prórpio Senna disse que 89 estava entalado na garganta dele. FOi um desabafo! Viva o Senna !!!!!!!

Zé Antonio Coelho disse...

Concordo que não foi uma maneira muito elegante de vencer um campeonato mas, convenhamos, esse negócio de levar um tapa e oferecer o outra face, só na Bíblia, né.

Speeder_76 disse...

Eu confesso que para mim, foi um pouco frustrante acordar às 4 da manhã (eu, o meu avô e o meu pai) e a emoção acabar na primeira curva. Mas de uma certa forma, ele queria vingança e teve-a. A atitude era reprovável, é certo, ele nem queria saber se aquilo era perigoso ou não...