sábado, 6 de outubro de 2007

O CAMPEÃO QUE MISTER F-1 QUERIA

Sexta pole-position do ano para Lewis Hamilton, após uma volta sensacional no final da classificação. Claro que a expectativa de chuvaou mesmo de um tufãoem Xangai amanhã pode acabar tornando a corrida uma verdadeira loteria, mas o inglês está mais perto do que nunca de ser campeão.

Após a reunião dos pilotos, ocorrida ontem em Xangai, ficou claro para todos que não havia formas de derrotá-lo este ano. Alexander Wurz, um dos membros da GPDA, contou alguns detalhes do encontro que durou 55 minutos. “Há alguns anos debatemos o assunto e pedimos para que a FIA punisse os pilotos que andem de forma errática atrás do Safety Car”, contou o austríaco – provavelmente citando o caso do acidente entre Juan Pablo Montoya e Michael Schumacher no GP de Mônaco de 2004.

Apesar de quase a totalidade dos pilotos acreditar que o líder mundial devesse sofrer algum tipo de penalização (e pleitear por isto), o delegado da FIA Charlie Whiting resolveu salvar a pele do inglês – ameaçando todo o resto. “Senhores, nós temos regras claras para o Safety Car. O líder deve manter uma distância máxima de cinco carros e ir num tempo constante, sem mudança de ritmo, além da proibição de ultrapassagens. Se eu levar este regulamento ao da letra, tenho de punir metade do grid: quase todos cometeram alguma manobra irregular”. Isto é fato, pelo menos 23 pessoas que estavam na sala poderiam confirmar a história.

Esta é a brilhante lógica da FIA empregada na Fórmula 1. Na última corrida, a entidade não hesitou em punir Felipe Massa, com justiça e baseada nas regras, com um drive through por ultrapassar atrás do Safety Car. Também penalizou de forma semelhante ao polonês Robert Kubica por causar uma colisão com Lewis Hamilton – embora em todas as corridas dos últimos anos, acidentes são investigados apenas após a chegada e eventuais punições foram aplicadas na prova seguinte.

Mais curioso ainda foi que, após o acidente entre Mark Webber e Sebastien Vettel, o mesmo Charlie Whiting exigiu da Renault que ordenasse ao segundo colocado Heikki Kovalainen que mantivesse uma distância segura para Hamilton – algo que, por um lado, evitaria a chance de um novo acidente e, por outro, tiraria qualquer chance do finlandês ultrapassar o piloto da McLaren na relargada. Isto porque o regulamento escrito pela FIA exige no item 40.10 que o grid ande o mais próximo possível (ou seja, uma ordem que contradiz sua própria regra).

Está muito claro que existem pesos e medidas diferentes quando se trata do “everybody’s darling”.

Lewis Hamilton fez um grande campeonato e poderia ter sido campeão por seus próprios méritos. É um excelente piloto e tem calibre para ficar muitos anos brigando por títulos na Fórmula 1. Mas este de 2007, à luz da transferência de uma quantidade enorme de dados de Maranello para Woking, à luz da punição abstrata aplicada a Fernando Alonso no GP da Hungria, à luz das medidas diferentes aplicadas aos pilotos no último GP do Japão, tem um valor muito questionável.

Junto-me aqui aos que acreditam que a série de decisões controversas que foram tomadas neste ano visou facilitar as coisas para que um piloto inglês fosse campeão do mundoembora discorde veementemente de quem acha que Hamilton seja protegido por sernegro e inglês”. A nacionalidade é decisiva, mas a cor de pele não tem nada a ver com a história, tenham certeza disso. Se Lewis fosse negro e colombiano, as coisas não lhe seriam tão fáceis assim, muito pelo contrário.

Paciência, Bernie quis assim, assim será. O show é dele, ele dirige como bem entender. Aos torcedores, resta aceitar isso e torcermais do que para piloto X ou equipe Y, para que o Mundial de 2008 seja esportivamente bom, algo que este não foi.

6 comentários:

Caíque. disse...

Ico,
Eu nunca fui com a cara desse Mané, embora o ache um excepcional piloto, mas acima de tudo FALSO e agora sem a menor dúvida, PROTEGIDO. Também nunca fui com a cara do Ron Dennis, que pra mim deveria ter sido excluído do Campeonato este ano e em 2008.

Caíque. disse...

Ico,
Eu acho que ser Negro e Inglês é um fator espetacular para a F1, afinal nunca um Negro teve o sucesso que o Hamilton está tendo e é Inglês, coisa que a Imprensa Britânica deve estar amando.
Em tempo, se alguém acha meu comentário racista, por favor esqueçam essa bobagem, pois minha sogra é NEGRA e eu a considero verdadeiramente como minha Parente e uma segunda MÃE, só acho que a Combinação de raça e nacionalidade do Hamilton perfeita.

Anônimo disse...

É pena que se esteja a formar à volta dele uma imagem assim tão negativa, um pouco como fizeram ao Schumacher, mas acho que ele tem capacidades para reverter essa situação.

Gustavo disse...

O correto é "mantivesse", e não "mantesse".

Também não me agradam as decisões da corte quando envolvem e sr. Hamilton.

Parabéns pelo blog. Gosto muito.

Anônimo disse...

Eu ia falar justamente o que o gustavo falou.

Anônimo disse...

Ico, este meu comentário postei agora há pouco no blog do Gomes; achei q não é um despropósito postá-lo aqui também.

Não gosto do provável novo campeão, não gosto da pessoa.
Como bom e genuíno inglês, é Hipócrita, com h maiúsculo. Demonstrou bem isso na reação pós corrida na Bélgica.

Tenho o palpite q é um gênio sim, do nível de Jim Clark, nada menos.
Mas então penso no q quase todos os campeões, sem exceção, tiveram q passar na pista, acidentes, os tais big ones: Lauda, Prost (vítima: Pironi), Senna, Schumacher, Piquet, Mansell, todos alguma vez se estamparam por causa de falha em pneu, asa ou suspensão, ou erro de pilotagem mesmo.
Alonso o fez por erro próprio, supôs errado a localização de um acidente sinalizado q não viu à sua frente (interlagos 2000 e ?).
Kimi vive abusando da sorte (aquela suspensão em Nurburgring, este ano em Monza: depois da pancada no treino, correu sem saber direito o q havia acontecido, como se nada tivesse acontecido - ele sempre me faz pensar em Jochen Rindt…)
Clark, Rindt, Senna e Gilles não sobreviveram ao esporte para o qual tinham talentos únicos - por contraditória q seja essa sentença.
Me pergunto se o longo aprendizado do menino o terá preparado para enfrentar esses riscos.
Se é q o imponderável ainda faz parte do universo da F1…

agradeço a vc nos lembrar q há um único indivíduo no controle do jogo/espetáculo; quanto a ainda ser um esporte, bem…

grande abraço
Fernando Amaral