quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"OS DIAS DE CARNE COM BATATA ACABARAM"

Hoje deu tempo para ir à Interlagos e recebi o programa oficial do GP do Brasil. E o conselho a seguir não é porque tem uma matéria minha: se você for à pista, compre-o! Neste ano tive acesso à revista de todas as corridas, e nenhuma possui tanta variedade de matérias como esta aqui, abordando aspectos pouco conhecidosmas nem por isso menos importantes – do que cerca um evento de Fórmula 1.


Abaixo, a primeira parte do material escrito por mim. Literalmente, um aperitivo do que você vai encontrar nas páginas do programa. Bom apetite!


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A atmosfera glamourosa da Fórmula 1 não se resume apenas a carros velozes e mulheres bonitas. Ela é garantida em grande parte na mesa. Especialmente nos paddocks europeus, a comida servida nos motorhomes das equipes é refinada como nos melhores restaurantes do mundo. Não poderia ser diferente, afinal é ali, na mesa, que muitos dos negócios milionários da categoria são discutidos e acordos são fechados.


É por isso que as equipes não medem esforços quando o tema é comida. Os números mais impressionantes são do motorhome em conjunto da Red Bull e da Toro Rosso. Além de cuidar da fome dos membros de dois times, os cozinheiros trabalham também para centenas de outras pessoas. Ao lado da Ferrari, ali é o único motorhome aberto para qualquer pessoa do paddock.


No total, são cerca de 4 mil pratos servidos a cada final de semana, quase duas toneladas de alimentos são consumidas. São duas filosofias na hora de escolher o cardápio, como explica um dos chefes de cozinha, Sigfried Thurmer. “Para os convidados, fazemos normalmente pratos da cozinha austríaca. Com a equipe, a busca é deixar ambos os lados – o italiano e o inglêsfelizes, o que nem sempre é fácil. Hoje, por exemplo, tivemos rosbife e um risoto”.


Nas outras equipes, principalmente na Ferrari, os pratos que têm massa como base acabam dominando o cardápio, mas não são a única opção. “Cozinhamos cerca de 50 quilos por dia, além de 7 quilos de carne por refeição. O importante é ter variedade, porque cada um tem um gosto diferente. Os dias de carne com batata acabaram”, decreta o inglês Daniel Bell, um dos quatro responsáveis pela cozinha da Renault.


Nas corridas fora do continente europeu, como a do Brasil, o trabalho nas cozinhas é diferente, que as refeições são feitas exclusivamente para os membros da equipe. “A preparação é mais meticulosa, é preciso muito cuidado para empacotar as coisas em Salzburg, porque vai tudo em containeres. Os ingredientes frescos são comprados no local, o que envolve uma logística mais compliacada, e cozinhamos para a equipe. Mas é gostoso, o ambiente é mais familiar e a gente acaba tendo um contato maior com o esporte porque trabalhamos praticamente dentro dos boxes, o que na Europa acaba não acontecendo”, conta o austríaco Erik Ammer, outro dos chefes da Red Bull.


Nestas provas, a falta de estrutura das cozinhas acaba influenciando também na escolha do cardápio. “Levamos apenas dois chefes, ao invés de quatro, e a comida não é tão glamorosa. É uma questão de estrutura. Na Europa, temos mais energia à disposição. No Brasil, por exemplo, nãopara aquecer tanto o forno e fazer um bolo. Bolos e tortas são coisas difíceis de se fazer por ”, explica o chefe Bell, da Renault. Nas provas fora da Europa, convidados e jornalistas comem em locais oferecidos pela organização – e um bufê extremamente popular é o do Bahrein, com qualidade cinco estrelas.


A principal responsabilidade dos cozinheiros da Fórmula 1, porém, é a de alimentar os pilotos. Para isso, é preciso seguir à risca um cardápio rígido, que pode até influenciar o que o resto da equipe come. “Os fisioterapeutas nos dizem o que cozinhar: pouca gordura, pouco carboidrato – a não ser antes da corrida – e muita proteína. Para ser sincero, se o Fernando quer comer filé grelhado, a equipe também vai comer filé grelhado. A comida não difere muito, talvez apenas os horários em que os pilotos comem, eles têm de ser mais específicos”, explica Daniel Bell.


A dieta rica em proteína é importante para ajudar no fortalecimento dos músculos dos pilotos, especialmente no pescoço e na parte superior do tronco. Apenas no domingo, a escolha do prato recai sobre massa, para que a dose extra de carboidratos garanta a energia necessária para os pilotos agüentarem toda a corrida. Apesar das restrições, os atletas sempre tentam satisfazer também suas vontades pessoais. “Fazemos um planejamento no início do ano sobre o que podemos e o que não podemos ter nas refeições. Eu tento comer o que eu quero, dentro das comidas que são permitidas. Mas, se eu pudesse, comeria mais chocolate do que estou comendo agora”, brinca o espanhol Fernando Alonso.


O que une pilotos, fisioterapeutas, mecânicos e cozinheiros é a alegria da última prova do ano ser no Brasil. Assim, sobra mais tempo para degustar as delícias de um local de aprovação unânime no paddock: as churrascarias. “Os brasileiros celebram a carne de um jeito que nãoigual no mundo, é muito interessante. A facilidade com que os garçons cortam pedaços finos é incrível. E tem aquele bufê de saladas impressionante”, afirma Thurmer, o chefe de cozinha da Red Bull. Para Daniel Bell, da Renault, as paixões são outras. “Uma das coisas que eu amo no Brasil é a mussarela de Búfalo. E caipirinha, claro”.

5 comentários:

Márcio disse...

Sensacional o texto Ico...
cara, faz pouco mais de 2 meses que conheci seu blog. Está mais que de parabéns...já o adicionei nos meus favoritos. Um abraço
Márcio

Gil disse...

excelente o texto, Ico, este ano não, mas no próximo estou lá e vou pgar mais uma dessas. não sabia que era vc quem escrevia. parabéns, viu? e meu cotovelo está inchado por conta do gp da austrália desde já!:P

Daniel Médici disse...

Espero que os organizadores façam o programa chegar no setor A...!

Diziam - não posso confirmar - que o Motorhome da Minardi era o mais disputado nas horas de almoço.

Blog Sem Noção - F1 disse...

Com o mesmo medo de não ter no Setor A, me adiantei e já comprei a revista oficial do GP no Salão do Automóvel.

muito boa realmente
indico

ba disse...

Piadinha idiota, mas como o cara tira o leite de búfalO pra fazer queijo?