terça-feira, 28 de abril de 2009

SOB NOVA DIREÇÃO?

A McLaren vai ter de dançar ainda mais bonito que a personagem de Jennifer Beals no filme “Flashdance” para convencer os juízes do Conselho Mundial da FIA a pegarem leve no julgamento do “Escândalo da Mentira”. Serão 29 os nomes que vão deliberar sobre o tema: Max Mosley, seu representante direto Nick Craw, sete vice-presidentes, 17 presidentes de automóveis clubes nacionais, Bernie Ecclestone (como presidente da FOM), o presidente da CIK (a federação de Kart) e o da associação dos construtores de automóveis.


No paddock do circuito do Sakhir, ninguém discutia se o time seria punido, mas sim qual será a punição aplicada. Exclusão do Mundial, suspensão por uma ou mais corridas, perda dos pontos conquistados até agora, multa baixa ou alta, todas estas variantes foram citadas, combinadas ou não.


O rebolado da McLaren começou. O primeiro passo foi a saída de Ron Dennis do McLaren Group – ele passou a comandar a McLaren Automotive, que se desmembrou da empresa e passou a operar de forma independente, conforme anunciado na semana do último GP da China. O objetivo, claro, seria de acalmar a turma da FIA tirando de cena o arqui-rival de Max Mosley.


Mas o homem do chicote desconfia que tudo não passou de uma cortina de fumaça. Afinal, Dennis continua como sócio minoritário do McLaren Group, dono de 15% das ações. E todos sabem que ele tem voz de decisão também sobre os 15% de seu sócio Mansour Ojjeh e os 30% dos barenitas. Na prática (mas de maneira dissimulada), ele ainda seria o manda-chuva em Woking. Se achar que é isso mesmo, Mosley pode presidir a sessão de amanhã com sangue nos olhos, sedento por vingança.


E é que entra a turma da Mercedes-Benz em ação. O chefão Dieter Zetsche (aquele que parece um clone do Barão de Rio Branco) avisou nesta semana. “Se houver uma punição desmedida, nós poderíamos repensar nosso compromisso com a Fórmula 1”. Um cenário que arrepia os cabelos brancos de Bernie Ecclestone. Os alemães fornecem motores para três equipes do grid. Se resolverem excluir os carros prateados do Mundial, poderiam até melar a disputa, deixando a líder Brawn GP e a Force Índia na mão.


Assim, tudo converge para uma pena relativamente branda, um tapinha na mão (seja na forma que for) seguido por umisso é muito feiocomo repreensão. E abrandar a imagem de equipe arrogante e trapaceira é o que Martin Whitmarsh anda fazendo no paddock. Antes, a McLaren era o time mais fechado, tanto que seu motorhome suntuoso e escuro ganhou o apelido jocoso de “Estrela da Morte”.


No Bahrein, porém, seus assessores avisavam a todos os jornalistas que, daqui para frente, haverá cocktails gratuitos e música ambiente para o relaxamento dos escribas em todas as corridas. Os colegas ingleses adoraram. Além de preencherem laudas e laudas com o sucesso de Jenson Button, ainda podem ir na McLaren fazer uma moralzinha com Lewis Hamilton. Com direito a umas biritas na faixa. Ê beleza!


Enquanto uns se refestelam e outros costuram acordos políticos, a verdadeira vítima deste episódio ainda não encontrou seu rumo. Um mecânico da McLaren contou que o ex-diretor esportivo Dave Ryan está “completamente destruído, sem saber o que fazer da sua vida”. Depois de 25 anos de dedicação à equipe, parece que o neozelandês acabou completamente ignorado. O lado humano, como é praxe na Fórmula 1, que se dane.


+++


Além do julgamento da McLaren, o encontro do Conselho Mundial pode trazer outras surpresas, como antecipei aqui. As equipes saíram do Bahrein sem decidir uma contra-proposta, pediram tempo para isso. Mas Mosley não é famoso pela paciência. Historicamente, sempre aproveitou a falta de um consenso entre as equipes como justificativa para impor seu desejo. Eu apostaria que amanhã teremos mais uma bomba polêmica relativa ao futuro da Fórmula 1. Aguardemos.

9 comentários:

LeandroSpectreman disse...

Só ficaria preocupado se quem presidisse esse julgamento do dia 29 fosse o Gilmar Mendes.

Ainnem Agon disse...

Ótimas notícias, ICO! Agora conta mais do Barrichello x Button, por favor!

Daniel Médici disse...

Será que a McLaren está começando a trilhar o mesmo caminho que a Tyrrel fez e que a Williams está fazendo? Quem viver, verá...

Quanto às medidas de restrição de custo, estou animado. Ainda há esperança de ver um grid lotado.

Hugo Becker disse...

Além de iSport, encontrei hoje notícias sobre a entrada de Campos e Epsilon Euskadi na Fórmula-1. Ambas ainda não oficializaram o boato, mas não deixa de ser interessante notar que seis novas equipes são apontadas como estreantes na categoria em 2010. Claro que não dá pra crer numa farra do boi dessa proporção, mas três novas equipes já seria um número bastante razoável.

Smirkoff disse...

O Dave Ryan deveria conhecer uns advogados e fundar a Ryan, Stepney & Coughlan Associates, fornecendo assessoria jurídica para funcionários de equipes de F1...

Ron Groo disse...

Poxa Leandro Spectreman, se fosse o Gilmar Mendes tudo acabaria em pizza e habeas corpus suspeitos.
A Mclata seria inocentada até da acusação de ser um equipe de F1.
Inocentariam até o Karas e o Dr. Gory...

Mas falando sério eu espero que a F1 Sobreviva aos anos Max and Bernie. Mas tá complicado...

Williams Gonçalves de Farias disse...

Ótimo texto ICO!! A dupla Max e Bernie realmente estão levando a F1 por caminhos obscuros, parece que quanto mais velhos eles ficam, mais se complicam. Eles são que nem os nossos políticos dinossauros: uma vez no poder... até a morte no poder!

Vou postar um outro comentário antes mesmo do post Rubinho x Button

Williams Gonçalves de Farias disse...

A diferença entre torcer pro Button e pro Rubinho: o Button quando entrou era uma promessa! igual o Hamilton hoje. Só que ele nunca andou em uma equipe "grande": Ferrari, McLarem, Renault... BMW... só em equipes "pequenas". Só que esse ano, ele está andando na melhor equipe do grid, e está correspondendo as espectativas passadas, que ele sempre foi uma promessa! Agora, o Rubinho foi a mesma história!! Era uma promessa que sempre andou muito bem em equipes pequenas... até que ele foi pra Ferrari! Aí ele se mostrou quem ele verdadeiramente era. Ele foi comprado pra ficar la por cinco anos. E esse ano de 2009, chega com o carro sensação, e está levando não só do Button como já de outros pilotos - Vettel, Hamilton ... Então essa é a diferença pros torcedores ingleses para os brasileiros. Eles tem pilotos que, um é atual campeão, e outro confirmou pra que veio na F1; quando surge uma oportunidade, ele vai lá e se garante. Essa é a diferença entre eles! Sem condições de torcer pro Rubinho. Abs

Luís disse...

Grande visão dos acontecimentos. Este post está 5*. Continue assim!