quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FOTO DO DIA – GP DA INGLATERRA DE 1961

O mundo do automobilismo celebra hoje o 80° aniversário de Stirling Moss, lenda viva do esporte e um dos maiores pilotos dos anos 50. Tive a oportunidade de entrevistá-lo ao vivo em junho, no grid de largada do GP da Inglaterra. Moss caminha com dificuldade, mas fez questão de olhar a movimentação dos carros de perto, enquanto se apoiava numa espécie de cadeira monopé. Ao microfone da rádio, condenou veementemente e com clareza as ações da FIA na guerra contra a FOTA que se desenrolava naquele final de semana. Lucidez total.


Mas não deixa de ser um personagem controverso. Na imagem acima, o inglês conduz um dos carros mais curiosos a participar de uma prova de F-1, o Ferguson P99, com tração nas quatro rodas. Ele havia largado e liderado a corrida com uma Lotus 18, até a quebra do carro na volta 44 com problemas nos freios. Incompreensivelmente, Moss voltou aos boxes e foi para a pista com o Ferguson de Jack Fairman (o regulamento permitia isso), que já havia sido desclassificado depois de ser empurrado para voltar à pista pelos mecânicos depois de um pit-stop (o regulamento não permitia isso). Moss deu seu showzinho particular até receber a bandeira preta, podendo muito bem ter atrapalhado outros competidores. Talvez por isso, os pilotos da época o julgavam um tremendo de um bota e uma má pessoa, conforme o grande Fritz d’Orey revelou para mim nesta entrevista exclusiva para o GP Total.


Mas era uma turma de apaixonados pelo que representa para mim a essência do automobilismo, com o esporte acima de tudo. Um sentimento que deve ser celebrado com ainda mais fervor em dias como os atuais. Parabéns, Stirling Moss!

9 comentários:

Caíque Pereira. disse...

Ico,

Esse F1, o Fergurson P99, é um fórmula com "Tração nas 4" e foi o único F1 a vencer uma prova,com o Moss, a Golden Cup em 61, em Oulton Park. Foi também o carro campeão de Hillclimb, com o Peter Westbury em 1965

Abraços,

Caíque.

Tavaresdemello disse...

Ico, sou um leitor assíduo do seu blog mas, infelizmente, ñ tenho uma situação muito favorável para postar. No entanto, depois de ler atentamente sua entrevista com Fritz d’Orey, ficou impossível me manter calado.
Como sempre acreditei na pilotagem de Barrichello, e aproveitando este grande momento do piloto brasileiro, faço questão de divulgar este trecho onde Fd’O afirma:

"... Mas você sabe quem é um grande piloto mesmo? Há dois anos atrás eu fui jantar com o Prost em Paris, junto de um amigo meu que era piloto de corridas na minha época, o Henri Grandsire. E o Prost me disse uma coisa que me deixou surpreso. Na opinião dele, o Rubinho era um dos três melhores pilotos do mundo, mas que nunca teve carros à altura. E que quando teve, sabotavam... O Senna teve uma sorte gigantesca. Era um grande controlador de vídeo-game e pegou sempre automóveis maravilhosos. O Piquet também. Mas teve pilotos fabulosos que nunca tiveram um equipamento à altura. Estou falando isso sem nem conhecer o Rubinho pessoalmente. Mas a fama dele entre as pessoas que entendem, como o Prost, é a de ser um dos melhores pilotos do mundo. E aqui no Brasil, ninguém dá valor para ele. É impressionante."

Eu sou apenas mais um apaixonado por automobilismo e tb acho impressionante, a cegueira, burrice ou má vontade dos ditos especialistas brasileiros no assunto (tirando os ufanistas, claro)... Acredito q vc ñ faça parte dessa turma.

Bom, Rubens pode parecer um panacão, é um anti-herói com certeza, pode ñ ser um dos três melhores mas, é certo q é um dos pilotos TOPS!

Parabéns pelo seu trabalho. Hj vc realmente é o "The Best"!

Grande abraço,
Claudio

Daniel Médici disse...

Esse Ferguson me lembra muito aquele BRM Fórmula 1 que o Fangio e o González pilotaram em 1953. Deve ser tão ineficiente quanto...

O Moss foi um fora-de-série em sua época, é fantástico que ele tenha sobrevivido e chegado aos 80 anos para nos lembrar que um automobilismo mais sincero e menos 'business' já existiu um dia.

Fernando Mayer disse...

Ico Bom dia,

Sei que não tem nada a ver com o que você postou hoje, mas já reparou como na foto da matéria do Tazio o Damon Hill tá parecendo o George Harrison da época pós-Beatles?? Inclusive vai uma dica de uma música incrível com um clipe mais incrível ainda do próprio George Harrison que se chama Faster. Olha, vale muito a pena assistir esse clipe.

http://www.youtube.com/watch?v=jMm4bhs6GYY

Agora sobre o Sr. S. Moss sem dúvida é uma lenda viva do automobilismo. Viva!! Pena que jamais tenha conquistado o tão merecido título mundial. Tanto que em 58 poderia te-lo feito mas, por respeito ao seu concorrente M. Howthorn, foi um verdadeiro cavalheiro e abriu mão do campeonato. Coisas que não preciso nem dizer se acontecem ou não nos dias de hoje.

Linda a foto!!!
Parabéns!!!

Abs

Tertuliano disse...

Pois é. Stirling tem de ser festejado pela história que tem, pelo que fez dentro das pistas. Mas isso não exclui o fato de que, no fundo, ele é um escroque. Aquela coisa irracional dele ao espinafrar o Stewart e o pessoal dos anos 70 que começou a se manifestar pela segurança é uma das posturas mais inacreditáveis que vi num esportista.

Ico (Luis Fernando Ramos) disse...

Boa Caíque, errei mesmo na especificacao do P99. Valeu!

Ituano Voador disse...

É muito difícil emitir um julgamento sobre o caráter de alguém. Mas, como já lembrou o colega acima, Hawthorn só foi campeão em 58 porque Moss deu-lhe testemunho favorável, em uma acusação de que Mike teria cortado caminho na pista de Marrocos ao estabelecer a pole-position. Hawthorn seria desclassificado da prova, mas Moss assegurou que o fato não teria ocorrido, porque estava logo atrás da Ferrari durante aquela volta rápida.
Creio que Moss seja um tipo 'chucrão', com aquelas idéias do tipo 'cinto de segurança é para boiolas', mas mau-caráter acho forte demais (minha singela opinião)

Speeder_76 disse...

O Moss é um senhor das pistas, sem dúvida. E concordo mais com a expressão do Ituano Voador, que ele era mais um tipo que desprezava o tipo de segurança de Stewart queria. Em suma, tinha a mentalidade de um piloto dos anos 50, que desafiava a morte sempre que guiava um carro. Muito romântico, mas hoje impossivel de tolerar.


Alguém disse que o episódio do Hawthorn foi em Marrocos, mas o correcto é dizer que isso aconteceu no Circuito da Boavista, em Portugal, quando ele avisou aos comissários para que não o empurrassem na pista. Ele depois deu um testemunho favorável aos comissários, que o tinham desclassificado inicialmente, mas depois voltaram a colocar Hawthorn no segundo lugar. E este foi campeão por um ponto.


Em suma, isto é muito melhor do que falar ou dissecar sobre o Renaultgate. Comemorar um grande piloto do passado é um excelente remédio para esquecer a podridão actual.

F1Brasil disse...

Iaew cara blz?

Bem estou com um blog também sobre automobilismo e queria parceria, teria como?Se sim, me manda um mini-baner 120×60 pixels e pega la no meu blog o meu e-mail:

formulabrasil@yahoo.com.br

http://www.formulabrasil.blogspot.com/

Vlw!