domingo, 31 de janeiro de 2010

A CRISE ESTAMPADA


Dia corrido com a família, mal deu tempo para acompanhar o lançamento dos carros de Renault e BMW Sauber em Valência. Mas o que chama mais atenção logo de cara é a dimensão da crise que enfrenta a sempre rica e opulenta Fórmula 1. O time da montadora francesa, que pertence agora a um grupo de investidores que nada tem a ver com a matriz, não tem um patrocinador principal, apenas a sua própria marca – o que, no jargão do jornalismo, chamamos de “calhau”, quando um veículo anuncia a si próprio para preencher o espaço de um anúncio não vendido.

Na equipe suíça, o choque é ainda maior: não há patrocinadores. Peter Sauber têm o apoio de algumas empresas, anunciou ontem mesmo um xampú japonês como parceiro (sem ironias aqui com sua protuberante calvície), mas tudo indica que são parcelas pequenas. E a mais significativa notícia do dia veio dos bastidores.

Ontem, no “Pole Position” da Rádio Bandeirantes, já discutíamos a possibilidade da USF1 ficar de fora das primeiras etapas da temporada. O fato é que a reunião dessa semana da comissão de F-1 (que reúne a FOTA, a FIA e Bernie Ecclestone) vai realmente estudar a possibilidade de permitir que as equipes novas possam se ausentar de três corridas das 19 do calendário – uma medida que pode atender tanto as que estão atrasadas com o projeto quanto aquelas com dificuldades no orçamento (ou seja, todas). Para Bernie permitir isso, é porque a coisa está mesmo feia.

Esta semana ainda deve trazer uma definição quanto ao futuro da equipe Campos. A venda da equipe (em parte ou no todo) para Tony Teixeira parece que foi concretizada. Mas a sensação que eu tenho é que a comunidade da Fórmula 1 reluta em receber um sujeito de negócios tão controversos. Fala-se de problemas com a bolsa de valores no Canadá, da insolvência da empresa que administrava a A1GP e por aí vai. Resta saber se o time vai garantir seu lugar, ou se o perderá para a Stefan GP, que comprou o espólio do time de F-1 da Toyota. No meio da confusão está Bruno Senna e o futuro de sua carreira.

Espero muito que ele esteja no Bahrein. Se Vitaly Petrov ganhou hoje sua chance de correr na categoria máxima da F-1, o brasileiro também mereceria a dele, pois andou melhor que o russo na GP2 quando ambos tinham equipamentos similares. Vai ser interessante ver o que o Petrov pode fazer este ano. Algum potencial ele mostrou. E, dos novatos, só não está num carro melhor que o de Nico Hülkenberg – ou pelo menos eu espero uma Williams (bem) mais forte que a Renault, pelas informações teóricas que a pré-temporada nos trouxe.

Quanto aos dois carros mostrados hoje, só um breve comentário: achei o C29 com uma cara melhor que o R30. Apesar do fiasco do ano passado, muito por causa do KERS, o projetista dos suíços Willy Rampf costuma criar modelos eficientes. A Renault, pelo jeito, vai continuar com um motor bom feito pela fábrica francesa, com um carro ruim feito na Inglaterra. O bico do R30, que falhou na primeira tentativa do crash-test, está com uma bela cara de remendo.

A conferir como eles se sairão junto de outros bólidos a partir de amanhã. Um dia agitado, para vermos o novo projeto de Ross Brawn, agora com a Mercedes; olharmos mais de perto a Williams de Rubens Barrichello, que está deixando a equipe bem animada para a temporada; e a primeira Toro Rosso projetada e desenvolvida inteiramente na fábrica de Faenza, sem a pena de Adrian Newey (até que ponto?).

Minha dica para essa primeira semana de testes? Ficarmos mais de olho na quilometragem acumulada do que nos tempos de volta. Com carros novos e com os compostos da Bridgestone que ninguém conhece ainda, tenham a certeza que os times vão trabalhar com o objetivo de acumular o máximo de informações possível para entender o conjunto e aplicar mudanças nas próximas três semanas. E, com a crise pegando tão forte, poderemos ter a volta daqueles leões de pré-temporada, equipes que andam até mesmo abaixo do peso mínimo para aparecerem bonitas no cronômetro e conseguirem um patrocinador de última hora.

14 comentários:

Edgard Pinto Júnior disse...

www.oconsumidoremdebate.blogspot.com

Gostei do carro da Sauber, parece ter inovações, além de ser uma inovação do carro do ano passado, quando ainda era BMW, vai ser bem melhor do que as novatas, por exemplo...

Já o Renault, andam especulando que é o carro do ano passado, com a nova pintura, a exemplo do que fez a Mercedes...o carro tá muito igual ao anterior, parece que estão escondendo o jogo.

Ico, como você mesmo disse, se o Bernie permitir que as novatas 'faltem' a 3 corridas, a coisa tá pra lá de feia...eu não acredito na Campos e nem na USF-1...ainda tem a história da equipe do leste europeu, prontinha pra entrar...a novela ainda não vai acabar na primeira corrida, pelo jeito.

Daniel Médici disse...

Quanto a Bernie liberar as equipes de três das provas, isso é assustador para quem lembra de como a Super Aguri implorou sem sucesso para estrear no GP de Mônaco...

Marcos Antônio Filho disse...

realmente essa falta de patrocinadores preocupa...E Essa notícia que vc deu, agrava mais as coisas, uma equipe poder ficar de fora de 3 etapas por causa de grana? Isso preocupa...

E Essa bico da Sauber, é alto que só, é da altura dos pneus dianteiros!

Anônimo disse...

Leandro Briese

Belas considerações Ico.
Lamento a situação da Renault, tá com uma cara de fim de feira...
O carro não parece ter a eficiência aerodinâmica de todos os outros carros apresentados até o momento.
Até mesmo a (BMW) Sauber me pareceu melhor trabalhada. Chama atenção a asa dianteira rica em detalhes no bólido suiço.

Fernando Kesnault disse...

Ico, talvez estas apresentações das equipes da f-1 sejam para amenizar a antipatia que campeia em geral no público com relação à elitização que a categoria vinha tendo, se achando "superior" em todos os níveis e depois, sim vem a questão econômicas destas tolas apresentações. Vc. viu as 24 horas de Daytona?? Consegui assistir umas 8 horas, mas valeu.

Sid disse...

O que achei mais engraçado na apresentação da Renault foi ter notado uma placa na traseisa do carro escondendo o difusor. Tudo bem que todas as equipes estão fazendo mistério quanto a isso, tentando disfarçar a peça, mas a Renault tapou o difusor descaradamente, falta saber quem está interessado em saber o segredo do fracasso, já que o carro está sendo dado cmo fraco antes mesmo de andar.
A sensação que tenho é que estamos começando uma nova era da Formula 1, assim como foi vivida em 1963, 1969, 1978, 1989, etc, com tantas mudanças não só nos carros mas nos ares dentro da F1, talvez o Luis Fernando possa sentir melhor isso
que convive dentro do ambiente.
Assim como tudo que está em tendência mundial, algumas equipes como a Renault, Ferrari e Mercedes resolveram pintar os seus carros como eles eram em tempos de glórias passadas, trazendo de volta mais uma vez o estilo retrô, fica legal mas acho que também é falta de inspiração de quem cria.
É uma pena ninguem mais querer investir em patrocinio na F1, uma categoria que em muito contribui para o desenvolvimento de soluções que depois poderão ser usadas pelas pessoas comuns nos seus automóveis, como foi o turbo, suspenção ativa, marchas sequenciais semi-automáticas e quem sabe nossos carros não estarão equipados brevemente com um tipo de KERS para diminuir os consumos. Ainda por cima com uma época recheada de tão bons pilotos sem poder contar com máquinas a sua altura.

Ron Groo disse...

Sabe, quando vi o carro da Sauber, todo branco, simplesão e meio feioso, pensei a mesma coisa. É a crise ainda batendo a porta dos patrocínios para a F1.

Mas no caso da Renault pensei que fosse mais por tratar-se de uma tentativa de resgate da marca com suas cores originais. Mostrando que a equipe que vai disputar o campeonato deste ano tem mais em comum com aquela em que o Arnoux travou a batalha de Dijon com Villeneuve (o pai), do que aquela da armação singapuriana...

F-1 A.L.C. disse...

então, finalmente o Bernie abaixou a criste, hein? se tivesse atuado desse jeito quem sabe e teriamos ainda a Toyota...

Lucas disse...

Ico...

Nas fotos que comparam o R29 ao R30 da Renault, o carro deste ano parece que não aumentou quase nada sua distância entre-eixos.

Podes nos informar a respeito disso?

Spectreman disse...

Acho que com todas as idiotices do Mosley, a questão do limite de orçamento está se provando uma medida necessária que a F1 jogou no lixo.

Vai ter grid com 26 carros no campeonato? Eu duvido muito.

Caíque Pereira. disse...

Ico,

Comentários perfeitos!

Buber disse...

A Renault ficou parecida com as Jordan de 2000 na pintura...

Fernando Kesnault disse...

Dizer que somente a f-1 traz inovações à industria automotiva é brincadeira conforme citado acima e além de tudo dizer que atualmente temos bons pilotos é pular o "corguinho" (escrito errado assim mesmo). Temos uns 3 ou 4 pilotos e só.

Anônimo disse...

Até agora o carro mais feio é o Renault com certeza!