quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

DIA DE POLÍTICA

A quarta-feira foi um dia para fazer política em Madonna di Campiglio. Começou com a coletiva de imprensa de Stefano Domenicali, na qual as entrelinhas deixaram claro que a Ferrari vê com total desconfiança a capacidade das novas equipes do grid se estabelecerem na categoria, ao mesmo tempo em que reafirmou o desejo do time italiano em empregar um terceiro carro para a competição. “Os torcedores querem ver grandes nomes em grandes equipes”, afirmou, acenando até mesmo com a possibilidade de colocar um Valentino Rossi para correr, ainda mais agora que Michael Schumacher debandou para a Mercedes.

Quem chegou na hora do almoço foi Bernie Ecclestone, que depois deu uma canseira nos jornalistas presentes, chegando com duas horas de atraso para uma mini-coletiva que havia sido marcada. A espera valeu a pena, já que o dirigente estava afiado nas respostas e disposto a causar polêmica. No cenário político, apostou que uma ou duas das equipes novas “não conseguirão fazer nem mesmo a primeira corrida” e empregou um discurso surpreendentemente alinhando com o da FOTA. “Dez equipes sólidas é tudo o que precisamos”, sentenciou.

Depois, entre sério e jocoso, disse que a Fórmula 1 ainda não encontrou o caminho para a volta das ultrapassagens e sugeriu a criação de atalhos nos circuitos, os quais poderiam ser utilizados pelos pilotos a cada cinco voltas. Não dá para levar a proposta a sério. Pode ter sido apenas um devaneio meio senil. Ou, mais provável, uma maneira de fazer a categoria ganhar as manchetes de todos os jornais do planeta amanhã, ainda que com uma idéia lunática que nunca será efetivada. Estamos aqui para isso, afinal.

Não é difícil imaginar que amanhã, ou no máximo sexta-feira, Luca di Montezemolo resolverá dar as caras por aqui, para ver “o que está acontecendo”. Vai aproveitar para fazer um par de reuniões importantes com Bernie Ecclestone. No ano passado, os dois saíram de Madonna di Campiglio falando línguas diferentes e o fracasso do diálogo foi o prenúncio da guerra política que marcou a última temporada. Agora, parecem estar alinhados no mesmo objetivo. Isto pode trazer estabilidade para o decorrer do campeonato.

Mas pode significar também o fim da linha para as equipes novas, quase uma imposição de Max Mosley. No fundo, a turma de sempre topa economizar até certo ponto, mas vê com ódio a idéia de dividir o bolo com um bando de proletários que mal consegue juntar um orçamento para fazer o ano todo. Se o discurso de Bernie for sincero, elas estão condenadas. Diz ele que dez equipes sólidas bastam. E elas não entram nessa equação.

Se Jean Todt vai ou não defendê-las, este passa a ser o próximo movimento a se observar no tabuleiro dos poderosos da F-1.

7 comentários:

Paulo Coruja disse...

Mesmo com a ideologia dos chefões alinhadas, acho que o cenário ainda é muito obscuro e negro. Não há ideologia sem algum respaldo estabilizador, eu creio.

Tiago Negreiros disse...

Ico, todo mundo sabe que Ecclestone apoia circuito de rua (que são uma chatisse só) e apoia categoricamente os trabalhos de Tilke. Sinto falta de algumas respostas dele relacionadas aos circuitos q a F1 tem recebido ultimamente...

Minhas perguntas a ele seriam:

- Nos últimos anos a F1 tem recebido circuitos luxuosos, mas com pistas travadas, oq dificulta, segundo os próprios pilotos, as ultrapassagens. O que fazer para a F1 dosar segurança e emoção de maneira mais equilibrada?

- Entre os circuitos novos, a F1 ganhou alguns de rua, como Cingapura e Valencia. Roma é uma hipótese e o senhor já cogitou Nova York. De que maneira os circuitos de rua poderiam proporcionar mais emoção, afinal, são conhecidos como travados e de dificil ultrapassagem?

Anônimo disse...

Dez equipes já bastam pois para a transmissão de TV já bastam 20 carros para se mostrar disputando posições, lembrando que os que importam, sempre na TV, são os ponteiros, os três primeiros.
Dá pra se pensar que o discurso se alinha à idéia do título por medalhas conquistadas pelos 3 primeiros em cada prova.
(Ecclestone's)

fernando amaral

Eugenio disse...

quanto adoraria ver a ferrari apanhar das "proletarias" e a cara de bunda do montezemolo...

enfim... pelo que fez a ferrari este ano poderia pelo menos calar a boca...

a que serve uma terceira ferrari lutando pela ultima posição como fez raikkonen o ano inteiro?

só por que os torcedores são tão burros de torcer ferrari mesmo quando rouba, não anda e só consegue ganhar na politica ou na justiça?

Fabio disse...

Ótimas questões essas levantadas pelo Tiago, queria só ver o que o Bernie iria responder...

Daniel Médici disse...

Dizem Bernie e a Ferrari que dez equipes sólidas bastam... Mas onde eles vão encontrar solidez com a indústria do automóvel em crise?

A Toyota era uma equipe extremamente estabelecida, com um dos maiores orçamentos da categoria. E nunca mais vai alinhar num grid de Fórmula 1. A BMW idem, desistiu da categoria na primeira chance que teve ano passado.

Renault, Honda, todas saíram ou estão saindo.

Longe de mim dizer que Ecclestone está errado em dizer que dez equipes sólidas bastam na F1. Só espero que ele tenha em mente o ensinamento de Marx. Afinal, tudo o que é sólido se desmancha no ar.

F-1 A.L.C. disse...

pelo amor de Deus! tanta sacanagem pra botar um motor barato pra os independentes e agora sai com que não precissa deles?

e aquela coisa bizzarra dos atalhos, ou é um jeito de satirizar o tema, ou um sintoma de que Bernie tem que ir pra casa jogar dominó.... ou as duas