sexta-feira, 27 de agosto de 2010

BARRICHELLO, 300 – II

Foi impressionante como a Fórmula 1 em peso reservou um horário na sempre massacrante rotina de um final de semana de corrida para comparecer ao motorhome da Williams na tarde de ontem e reverenciar Rubens Barrichello. Dentro do paddock, o brasileiro goza de imenso respeito e prestígio não só por ser um divertido e amigável colega de trabalho, mas acima de tudo por aliar toda a experiência que sua impressionante marca implica com velocidade e arrojo. Ninguém possui a sensação de estar diante de um veterano decadente que está apenas ocupando o lugar que deveria ser de um jovem talento, como aconteceu com vários de seus contemporâneos.

Mas o que mais me chamou a atenção na bonita homenagem, com direito a charge, bicicleta e um emocionante vídeo, foi olhar para o momento atual do piloto. De como, em pouco mais de dez meses de trabalho em conjunto, ele conseguiu plantar seu nome no coração de uma equipe com tanta tradição e história como a Williams.

O velho Frank era uma das pessoas mais felizes com o evento. Depois de dizer que Rubinho era “tranqüilamente um dos melhores pilotos que passaram em minha equipe”, emendou sua admiração pela recente disputa com Michael Schumacher: “Foi a demonstração mais incrível de determinação e coragem que eu vi pelo menos nos últimos dez anos”. E encerrou agradecendo ao piloto “por tudo o que você fez para a Fórmula 1”. Depois de dezoito temporadas na Fórmula 1, fica a sensação de que o piloto finalmente encontrou a sua casa na categoria.

É interessante ver também outro aspecto desse “Barrichello 300”. As alusões à bandeira brasileira no capacete, carenagem e macacão demonstram como ele valoriza a sua origem – característica comum, aliás, a vasta maioria dos atletas do país em qualquer modalidade. E, depois de uma relação complicada e cheio de conflitos como toda longa relação, a impressão que eu fico é de que ele finalmente está recebendo o respeito e a admiração dos torcedores de seu próprio país. É justamente o melhor presente que ele poderia receber no momento de uma marca tão especial.

(Foto Luis Fernando Ramos)

12 comentários:

Marcelo Urânia disse...

Ico, esse vídeo homenagem da Willians, o Sam Michael não vai liberar pro Youtube?

Abs!

Filipe disse...

Confeso que nao conhecia sua coluna e fico feliz de te-la lido! Peguei num retweet do Rubens :)

Realmente sempre me deu uma grande tristeza ver pessoas maldosas falando tremendas besteiras sobre o Rubens em seu proprio pais e ve-lo sendo reverenciado la fora. Muita gente aqui, que nem sabe o que eh F1, preferiu seguir "jornalistas" irresponsaveis que, sem motivo algum, acharam que seria mais legal tentar acabar com uma grande pessoas, um grande brasileiro do que apoia-lo.
Mas o Rubinho sempre foi grande e sabe que tem uma legiao de fas incondicionais aqui no Brasil. A vontade era que ele nunca se aposentasse. Nao sei como sera a F1 sem ele. Nao quero precisar pensar nisso, pelo menos, nos proximos 2 anos :)

GO! RUBENS GO!

Rodrigo Brasileiro disse...

Ico,
e o video? Como foi? Alguem tem disponível?
To muito interessado em ver esse video.

Anderson Ramos disse...

Olá Ico, eu também não sabia da sua coluna, peguei o link no meu twitter em algum fala sua com o Barrichello. Sempre assisti você nos programas do Regi Leme, e nos anuários que eu coleciono, parabéns pelo seu trabalho.

Sobre o Rubinho, tenho a opinião formada que ele tem esse marco na sua carreira de ser o piloto mais antigo da F1, vai disputar os 300 GPs que é muitoooooo, mas infelizmente ganhou só 11 corridas, que já é muito se pensar que muitos pilotos + muitos não conseguiram nem marcar pontos como o Chico Serra pro exemplo.

Neste dois ultimos anos, ele perdeu a chance verdadeira de ser campeão no super carro da Brawn, e ainda tirou a oportunidade do Bruno Senna ter estreiado em um bom carro, não essa carroça da Hispania. Hoje ele está na Williams, uma equipe que eu sempre achei que seria o time certo para o Nelsinho Piquet ter feito sua estréia na categoria, logico apoiado na história do Nelsoão.

Mais não adianta, Domingo vou estar na frente da Tv, torcendo para o Nico Rosberg, Lewis Hamilton, Bruno Senna e agora para o Rubinho conseguir um bom resultado nesta data feliz para ele.

Sucesso Ico Ramos, devemos ter um parentesco de longe...já estou te seguindo no Twitter...abraço.

Anderson Ramos

Biane disse...

Todo mundo vai querer ver esse video... vc sabe se vao disponibilizar???
O Rubinho é cara... Amuuuu d++

Eduardo Malheiros disse...

Fiquei realmente emocionado quando vi as homenagens e li seu post. O Rubens merece isso.

Parabéns!

Rangel disse...

Fala Ico... sabe o que é muito irônico? Rubens foi preterido pela Williams no final de 1998, que acabou contratando Ralf Schumacher e Alex Zanardi. Hoje não adianta mais, mas sou capaz de apostar que a Williams e Rubens estariam com mais vitórias no currículo hoje se a união tivesse começado naquela época. Um abraço e boa sorte na úmida cobertura do GP! =)

Fernando Mayer disse...

Olá Ico!

Poucos são os profissionais que tem uma história tão rica dentro do automobilismo. Mesmo não sendo um herói ou ídolo para a maioria das pessoas (no Brasil principalmente), eu confesso que tenho um imenso respeito por tudo o que ele representa. Tenho uma opinião difernte dos que pensam que ele é um derrotado. Ele errou em algumas ocasiões, teve atitudes precipitadas, mas fez coisas memoráveis também e tornou-se uma figura muito respeitada no paddock coisa que nem o "sete estrelas" e nem o "Príncipe das Astúcias" conseguiram ser. Uma das imagens mais marcantes que eu vi durante as tranmissões no ano passado foi aquela em que grande parte das pessoas o aplaudiam enquanto ele passava pelo pit lane após a vitória no GP da Europa. Esse episódio serve pra mostrar que apesar de todos os acontecimentos horríveis e polêmicas dos últimos anos e apesar de muitos acharem que o ESPORTE acabou e se tornou um negócio, pessoas que amam a F-1 como ela deve ser são admiradas e merecem reconhecimento.

Parabéns ao Rubens Barrichello!

Abçs

Ron Groo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ron Groo disse...

Às favas com o que penso dele, 300 gps é chão, é história. Se foi ou não um piloto isto ou aquilo é outra conversa.
Neste momento acho que tem mais é que comemorar e receber o carinho de todos que dele gostam. E me parece que na categoria muita gente gosta.

É uma marca de respeito!

SlotSeven disse...

Tenho a mesma impressão !!
Rubens nunca se sentiu tao em casa como agora !! Legal ter encontrado a sua "casa" antes ainda do final da carreira !! Ele ainda tem muito a contribuir com a F1 !

Leo disse...

oba ico,

Parabéns p o Barrichelo e p você também por mais um texto equilibrado e bem escrito.

Interessante: a palavra Barrichelo está no dicionário de português no meu Nokia!