Adrián Campos disse queesperapor uma soluçãoparasuaequipepara a próximasemana, mas admitiu hojenuma entrevistacom a BBCque às vezesnão tem o dinheiroparapagar as parcelasque deve à Dallara, eque está tentando solucionar o problema. Há claramenteumprazoque está vencendo e ele está correndo contra o tempo, mas o espanhol afirmou que, porcontrato, a Dallara não pode vender o projeto do carro de Fórmula 1 paraa Stefan GP.
O que, necessariamente, não seria umproblema, jáque a Stefan GP comprou a estrutura e o projeto do carro da Toyota. Mas é precisocalmaparaavaliar a estrutura dessa novaequipe. Quasetodo o stafftécnicoque trabalhou com os japoneses no anopassado debandou para outras equipes, atémesmopelademora do sérvio Zoran Stefanovic emefetuar a compra do espólio. É uma equipecomumcarro, aparentementecomalgumdinheiro, um diretor-técnico controverso (Mike Coughlan) e só. Paraalinhar no Bahrein, terão também de fazerumesforço e tantoparamontar a infra-estruturanecessária. Se tiverem mesmotantabala na agulha, podem conseguir.
O que é difícil de entenderatéagora é o interesse declarado de Bernie Ecclestone emver a equipe de Stefanovic na Fórmula 1. Peloqueele declarou em Madonna di Campiglio (“A F-1 precisa de dezequipesfortes, e só”), seria bom se algumas das equipesnovas desaparecessem, masqueninguémmais aparecesse paraocupar os seuslugares.
Ele pode tambémterseusmotivospara se preocuparcom a possibilidade de Adrián Campostrazerpara a Fórmula 1 uma figuracontroversacomo Tony Teixeira, umhomem de negóciosque aparenta deixarumrastro de dívidas e insolvências porondepassa. Poroutrolado, é umpoucoestranhosuaconfiançacega num desconhecido lobbysta de armamentos da Sérvia, tendo emmente o que aconteceu no país há menos de duas décadas.
O que está difícil de entendertambém é suaânsiaemvernaufragarumprojetoque traria o sobrenome Senna de voltapara a Fórmula 1. O fechamento de uma equipe às vésperas do Mundial inevitavelmente traria alguma luznegativapara a categoria, especialmente trazendo consigo uma perda desse calibre. Paracolocar Ralf Schumacher no lugar? Não faz sentido.
Olhando emretrospecto, tantoemdeclarações públicas comoemnotíciasqueeu recebia nosbastidores, Ecclestone sempre viu a equipeCamposcomsimpatia, especialmenteporque o espanhollhe procurava para se aconselharantes da darseuspassos. Emalgummomento, a sintonia terminou e o inglês começou a apontar os problemas da equipe. Lembro tambémque, na época do GP do Brasil, surgiu a notícia de que Bernie tentava costurarnosbastidores uma dupla Senna-Piquet, na Campos. Ummêsdepois, na coletivaemSão Paulo, Adrián colocou umpontofinal na história, dizendo que a equipesó teria umpilotobrasileiro, Bruno Senna. Será queisso tem alguma relaçãocom a mudança de humor de Ecclestone?
Paraterminar, há umoutrocomplicador. As informaçõesaqui na Europa dão contaquerealmente foi aprovadoumitem no regulamentoque permite às equipes a se ausentarem de trêscorridas no ano, semqualquertipo de punição. Ninguém conhece os detalhes do Pacto da Concórdia, mas será que Adrián Campos, dono de uma vagaquelhe foi outorgada pelaFIA, nãopoderiaestendersuabuscaporinvestidoresaté o GP da China, bloqueando assim a entrada da tal Stefan GP, pelomenos no início do ano?
Sãomuitospontosmalesclarecidos no semprenebulosocenáriopolítico da Fórmula 1. Esperamos que ao final dessa história, qualquerque seja, os personagens envolvidos nela nos tragam as respostas.
Na pauta desse blog, discussõessobre a Fórmula 1 emtodos os seusaspectos: histórias do passado, análises do presente, bastidores da cobertura e curiosidades. E muitamúsicaparatemperar essa mistura de razão com a paixãoque o automobilismo desperta.
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual.