quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

BRUNO SENNA E (EX-)HONDA. UMA BOA?

Os ventos vindos de Brackley ganharam intensidade. Você leu aquidois dias que faltava muito pouco para o anúncio oficial da permanência da Honda na Fórmula 1. Hoje, o site Grand Prix publica a mesma informação, afirmando também que Bruno Senna assinou com a equipe. O brasileiro nega. Mas seu otimismo não parece sem razão de ser.


Mas correr por uma equipe que quase deixou de existir, cujo carro nem foi para a pista ainda, seria uma boa para sua carreira? Pode-se argumentar que é um risco muito grande, que teoricamente o time vai andar nas últimas colocações (como fez, aliás, nos últimos dois anos). Mas eu acho justamente o contrário: por uma série de fatores, correr na ex-Honda é um grande negócio para a carreira do piloto brasileiro.


Em primeiro lugar, por ter começado relativamente tarde no automobilismo, Bruno não é mais tão novinho. Com 24 anos e 4 meses de idade, é mais velho que sete dos 18 pilotos confirmados para a temporada (incluindo gente bem estabelecida, como Hamilton, Kubica, Rosberg e Vettel). Por este fator, um ano a mais na GP2, por exemplo, começa a pesar o dobro. Giorgio Pantano que o diga.


Dito isso: as expectativas em torno do time serão mesmo pequenas. A tarefa básica será a de sobreviver e tentar garantir seu futuro depois do chamado “management buy-out”. Assim, a tarefa do jovem novato será unicamente a de andar o mais próximo possível de Jenson Button, superando-o de vez em quando.


É algo bem mais fácil, por exemplo, do que Nelsinho Piquet teve de enfrentar em seu ano de estréia numa Renault que tinha Fernando Alonso e uma urgência absoluta de resultados. Além de encarar um oponente fora-de-série, o brasileiro via o time concentrando totalmente seus esforços no espanhol – de maneira correta, diga-se, tendo em conta os objetivos de sua direção.


Ao contrário de dezembro último, os contratos da maioria dos pilotos da Fórmula 1 se encerram no final deste ano. Incluindo o de lugares cobiçados, como os da dupla da BMW Sauber ou o de Heikki Kovalainen. Se o futuro da ex-Honda for mesmo nebuloso e Bruno fizer o suficiente para se estabelecer na categoria, tem chances de ver uma destas portas se abrindo para ele.


No final das contas, parece que ele tinha duas opções para tentar seu futuro na F-1: enfrentar um grid de jovens famintos numa categoria difícil onde todos correm com equipamentos iguais; ou duelar com Jenson Button num ano de transição para uma equipe com preocupações maiores do que pressionar seus pilotos por grandes resultados na pista - e já se habituando ao carro e acumulando experiência com toda a rotina de uma equipe e dos finais de semana de corrida. Qual você escolheria?

9 comentários:

Anônimo disse...

Com certeza eu escolheria a F1, mesmo com o que sobrar da Honda. Até porque, sejamos francos, na GP2tem uns 5/6 pilotos bons, né. O resto só está lá por causa do "t$lento n$tur$l".
Ico, só uma pergunta (que tb é um exercício de "futurologia"):
o Santander patrocina o Bruno e a McLaren hoje.
Porém, já ouvi dizer que o Santander iria para a Ferrari em 2010/2011, quando pode ser que chegue por lá o Alonso.
Seria muita loucura (um só um pouco.. rsrs) imaginar a Ferrari em 2011 com Alonso e Senna? Claro, se o Bruno mostrar até lá a competência necessária.
Abs

Adriano Arthuzo - São Paulo/SP

António Barbosa disse...

Ico a entrada na F1 por Bruno Senna num equipa como a Honda que parte sem a pressão de uma Renault ou Toyota pode ser o melhor que acontece a Bruno Senna porque a legitimidade da equipa para exigir resultados é muito menor, a pressão também e tudo o que vier a mais do que o esperado para a equipa e para o piloto será considerado lucro.
Por ex. a corrida de Ayrton Senna em Mónaco 1984 não teria sido tão valorizada como foi se ele guiasse numa equipa com outro potencial , o mesmo se aplica á vitória de Vettel este ano = o carro é mau , a equipa não tem grandes objectivos o que vier será destacado.

Cumprimentos

Lucas Carioli disse...

Ico, você pode estar certo.

Arthur disse...

A F1,Sem duvida.

Mas Ico,eu já li,não lembro onde, que se a Honda andar muito mal esse ano ela vai sair de vez da F1.
E se isso acontecer e nenhum lugar (na BMW ou McLaren)vagar???
Qual será o fim do Senna nesse caso??

É uma situação complicada...

RAFAEL PORTUGAL disse...

F1, lógico! Mesmo se o carro for muito ruim (e provavelmente será) Bruno tem que chegar lá e mostrar que é rápido, superar o fraco Button e depois tem que aparecer, fazer corridas malucas, ultrapassar carros melhores que o dele... como já fizeram outros pilotos em outros tempos, como o próprio tio na Toleman e o Alesi na Tyrrel.

Ron Groo disse...

Bem, simplificando muito, equivale a dizer que é melhor jogar a serie A num time que fatalmente vai cair para a B novamente do que ter que ficar mais um ano se quebrando todo para tentar subir num time de ponta da série B.
A ida do Bruno para a equipe nicômica é muito bem vinda, tanto pra ele quanto para a Honda. Afinal é um dos sobrenomes mais poderosos do esporte né?
E acho que finalmente vou poder tirar a prova e ver com meus proprios olhos se ele é bom ou só faz marola.

Ituano Voador disse...

Tá certo que a Honda é uma draga, mas, pôxa, ainda tem o Ross Brown por lá... será que não dá pra sair um caldinho daí não??

Ylan Marcel disse...

Acho que pro Bruno Senna vale a pena correr em qualquer equipe. Tá sem vaga na GP2 e um ano parado vai acabar com sua carreira.
www.motorizado.wordpress.com

Filipe disse...

São dois lados complicados. Não ter pressão é uma boa (basta pensar por exemplo na temporada 2007 do Sutil ou de como Alonso e o Webber se destacaram na Minardi), por outro lado os resultados devem ser ruins e a plataforma não é das melhores para conseguir uma vaga num carro bom (e o Bruno não tem curriculo para arranjar uma vaga num carro realmente bom sem algum resultado dirigindo um Formula 1). Bom mesmo é que a não ser que ele ganhe fama por se envolver em acidentes, se queimar não vai.

Agora ele tem mesmo que aproveitar a chance até porque só um titulo da GP2 ia ajudar ele por lá.