terça-feira, 15 de dezembro de 2009

RUPTURA TOTAL

Passada a tempestade da guerra política entre a FIA e a FOTA, na qual a existência da Fórmula 1 como conhecemos chegou a ser questionada, a categoria vai colocando ordem na casa e mostrando sua cara para 2010. E é definitivo: sessenta anos depois de sua criação, ela vai passar pela maior ruptura com o passado de sua história.

Uma
série de mudanças de filosofia confirma isso. Depois de anos fomentando a qualidade (ou, talvez, o gigantismo do aporte financeiro) em detrimento à quantidade, a categoria vai ter o grid inchado com equipes novas: umas mais, outras menos sérias. A pontuação também será radicalmente alterada para contemplar um número maior de participantes e se adaptar à nova realidade comercial da categoria.

A
diferença aqui é grande. A filosofia das montadoras sumiu, elas que abriam uma vasta torneira de dinheiro, de cujo esgoto surgiu Paragon, carros ecológicos ou eventos de custos elevados e gostos discutíveismas também um investimento de marketing que deu um retorno histórico à Fórmula 1, mesmo com a qualidade do espetáculo deixando muito a desejar. Agora chegou a vez dos investidores: Vijay Mallya (Force Índia), Toto Wolff (Williams), Richard Branson (Virgin), Tony Fernandez (Lotus) e o potencial comprador da Renault Gerard Lopez são homens que entram em um negócio quando vislumbram um retorno rápido e efetivo para seus investimentos. Custos baixos e uma receita crescente do bolo da FOM permitiu esse cenário interessante para eles. E a FIA os recebeu de braços abertos, ampliando a zona de pontuação. Ficou claro o motivo da mudança agora?

A
nova Fórmula 1 também quebra a tendência dos recordistas de precocidade, inaugurada por Fernando Alonso e que continuou em Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. A interdição dos testes é a responsável por isso. “Enquanto continuar essa regra, posso correr até os 50 anos de idade”, foi a brincadeira que testemunhei esse ano de Rubens Barrichello com Pasquale Lattuneddu, braço-direito de Bernie Ecclestone. O brasileiro está certo, se tornou uma mercadoria valorizada no mercado. Assim, não é de se espantar o interesse de muitas das equipes novas em gente como Jarno Trulli, Alexander Wurz e Pedro de la Rosa. E mesmo dos três estreantes confirmados até agora, dois deles (os brasileiros) passaram dos 25 anos e acumulam pelo menos duas temporadas na GP2, sendo escolhas experimentadas e seguras de seus empregadores.

E a
cereja nesse bolo é o retorno iminente de Michael Schumacher às pistas. Como eu discutia com o Celso Miranda e o Odinei Édson no “Pole-Position” do sábado, o teste com o F2007 em agosto reacendeu a chama do alemão em relação à Fórmula 1. E uma conjunção incrível de fatores está convergindo para permitir que ele encontre um cockpit atrativo para voltar. Melhor notícia impossível, uma que irá despertar um interesse enorme na categoria.

Com
investidores, fim das estratégias nos boxes e dos treinos classificatórios opacos, novos times, nova pontuação e nomes antigos, a Fórmula 1 vai entrar em 2010 com uma cara completamente renovada, rompendo radicalmente com o passado. E eu insisto: pela qualidade das corridas a que assistimos em 2009, uma mudança dessa magnitude vem em ótima hora. Ainda é muito cedo para dizer se vai dar certo, mas a tentativa é sempre válida.

11 comentários:

Anônimo disse...

Ico,
Esse dominio dos investidores é o q acontece em todos ramos de atividade. Mas há o temor da saída intempestiva (a la equipes japonesas) se os negócios nao corresponderem no "ritmo dos negocios". Isso é ruim. Ingredientes p/ uma supertemporada existem, mas vai depender dos dirigentes e fiscais colocarem o esporte em primeiro plano. FOTA x FIA e lambanças de fiscais torraram nossa paciência nas 2 últimas temporadas. LET THE DRIVERS RUN

Kico disse...

Ico,
Esse dominio dos investidores é o q acontece em todos ramos de atividade. Mas há o temor da saída intempestiva (a la equipes japonesas) se os negócios nao corresponderem no "ritmo dos negocios". Isso é ruim. Ingredientes p/ uma supertemporada existem, mas vai depender dos dirigentes e fiscais colocarem o esporte em primeiro plano. FOTA x FIA e lambanças de fiscais torraram nossa paciência nas 2 últimas temporadas. LET THE DRIVERS RUN

Erico disse...

De onde vem a imaghem que ilustra seu post? Estou curioso a seu respeito.

Marcos Antônio Filho disse...

realmente se essa ruptura vier e fazer das corridas boas, eu agradecerei. Todos agradecerão. Mas essa pontuação eessas equipes novas meio suspeitas...sei não, estou com o pé atrás...

Ico (Luis Fernando Ramos) disse...

Erico, é uma espécie de concurso de uma empresa que tem um software de design. Entra aqui: http://www.blenderf1.com/

Abs!

Flavio disse...

Tambem estou animado com essa próxima temporada. O fim do reabastecimento e os treinos de sábado onde o mais rápido é quem fica com a pole e não o mais leve devem melhorar o espetáculo.

Agora só faltava proibir claramente no regulamento os duplos difusores, pois eles vão contra a ideia original de facililitar as ultrapassagens através da introdução das asas maiores na frente e mais altas na traseira dos carros.

Williams Gonçalves de Farias disse...

Quando vi a imagem, logo me lembrei dessa matéria: http://tazio.uol.com.br/indy/textos/15492/ Só quero ver isso! Parece revolucionário!

Klauss disse...

Não sei se a tentativa é assim tão válida, Ico.

Quando são justo as mudanças que tornam o esporte uma comédia, a mudança em si passa ser uma doença. Combater mudança com mais mudança é aumentar a doença...

Precisamos é de um antídoto pra essa filosofia robotizada da mudança. Ainda acho que o buraco é mais embaixo, especialmente lá nos anos 60 e 70...

Anônimo disse...

Veja tb esses modelos futuristas no blog bandeira quadriculada, de 15 dez 2009. Muito mais interessantes

Eugenio disse...

eu ouço tantos comentários desfavoráveis a estas mudanças, dizendo que essa não é mais a F1, pois F1 é jogar fora bilhoes para cada corrida e ter só o máximo do máximo...

nao concordo: talvez esta seja "de novo" a F1, depois desses anos destorcidos só jogando fora milhoes...

a historia da f1 é feita de lotus, willams, mclaren e ferrari (de uma vez!), que originariamente eram apenas uns apaixonados do esporte que construivam chassis e as vezes motores artesanalmente... treino nem existia, era só sexta sabado e domingo... aquela era F1!

Jonny'O disse...

Quanto aos testes ,sou a favor do esquema atual ,acho que o Kobayashi é prova de que ,piloto bom senta e manda ver,acho que vai ser melhor quanto a qualidade.

Se o cara for meia boca não terá chances de pegar a mão e assim a roda anda.